“Sabe quando você sente que perdeu o controle da situação, não sabe se segue em frente, se fica onde está ou se volta atrás? Sabe quando você parece cansada demais pra qualquer mudança? Sabe quando você vai sentindo baixinho até deixar calar? E é exatamente aí que começa a faxina, o desapego. É hora de deixar ir. Olhar em frente e abrir os braços, sentir o vento leve que bagunça os cabelos. Dizem que são nesses ventos que a felicidade vem…
“Só lhe resta fechar os olhos e aceitar. Mas dói, aceitar! Os olhos incham de lágrimas. No entanto, depois, por dentro delas, nasce um espaço maior que o céu, mais alto que as montanhas, um espaço que é sempre mais longe, mais fundo, mais imenso. Lá para dentro dos olhos, que lugar é aquele? Um lugar sem casas, sem ruas, sem ninguém. Tão silencioso. Tão escuro. Mas onde tudo desponta…
“Ela sonhava com o paraíso, toda vez que fechava os olhos.
“Posso não ser tudo aquilo que você sonhou pra ter ao seu lado durante uma vida, tenho alguns defeitos, talvez muitos, mas apesar desse meu jeito todo errado, aqui dentro tem um coração que só bate por você, e um cérebro que só pensa em você. Eu era um grande iceberg e hoje sou uma fogueira, que ficou tão frágil que qualquer vento que bate mais forte pode apagar.
“Do que eu tenho medo? Deixa eu ver. Sei lá, de repente de chegar um dia e ver que foi tudo em vão, que não valeu a pena, cada gesto ou cada ação, cada investimento e concessão. Eu tenho medo de um dia acordar e sentir que acabou.
“A gente percebe direitinho quando uma pessoa simplesmente não se importa mais.